O memorial do Clube da Esquina, em Belo Horizonte, foi vandalizado com tinta vermelha na madrugada desta sexta-feira (23).
Yé Borges lamentou o ataque e criticou a intolerância política. Ele fez um apelo para que o episódio não seja respondido com mais violência.
Câmeras de segurança registraram um carro parando e uma pessoa jogando tinta no local. Moradores relataram gritos de "Fora Lula" na região.
O ato ocorreu a 2 dias do 2º turno das eleições de domingo (25). A data antecede em 3 dias o aniversário de Milton Nascimento.
“É difícil até descrever o que a gente sente numa situação dessa.” O desabafo é de Yé Borges, irmão do músico Lô Borges, após o memorial do Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, ser vandalizado na madrugada desta sexta-feira (23).
O ataque ocorreu a dois dias do segundo turno das eleições e moradores suspeitam de motivação política após relatos de gritos de "Fora Lula" na região.
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O espaço, localizado no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, teve placas em homenagem aos integrantes do movimento musical cobertas por tinta vermelha.
À TV Globo, Yé lamentou o vandalismo e relembrou a importância da esquina para a história da música brasileira.
“Para mim é muito difícil. Vi nascer o Clube aqui na esquina. A gente jamais poderia imaginar que viraria uma referência no mundo. É muito triste, a violência não pode tomar conta das pessoas”, afirmou.
O irmão de Lô Borges também criticou a intolerância e defendeu o respeito às diferenças políticas.
“Vote em quem você quiser, mas não precisa agredir ninguém. Não precisamos chegar a essas vias de fato, isso é péssimo para a sociedade. É o legado que vamos deixar para os nossos filhos, para as nossas crianças: o ódio”, disse.
Apesar da indignação, Yé fez um apelo para que o episódio não seja respondido com mais violência.
“O ódio às vezes tenta me invadir, mas eu não deixo. O ódio gera ódio. A gente tem que emanar amor.”
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Suspeita de motivação política
Segundo a professora Graziela Viana, coordenadora de projeto que propõe tornar o Clube da Esquina em patrimônio cultural e imaterial do estado, câmeras de segurança de imóveis vizinhos registraram o momento em que um carro parou próximo ao memorial. Nas imagens, uma pessoa aparece com um pote de tinta e joga o conteúdo sobre as placas instaladas na esquina histórica.
Em entrevista à TV Globo, Graziela levantou a possibilidade de que o vandalismo tenha sido premeditado e esteja relacionado às eleições deste domingo (25).
A professora relatou que gritos de "Fora Lula" foram ouvidos na região, mas ressaltou que não há provas de que o ataque tenha motivação política.
“A gente não sabe se tem conotação política, porque foram ouvidos ‘Fora Lula’”, afirmou.
Ela destacou que a esquina é tradicionalmente um espaço de manifestações culturais, encontros e discussões, inclusive sobre política. Por isso, considera a possibilidade de o local ter sido escolhido intencionalmente.
Esquina histórica
O memorial fica em um dos pontos mais conhecidos do bairro Santa Tereza, onde surgiu o Clube da Esquina, movimento musical que ganhou projeção nacional e internacional a partir do trabalho de artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta.
Em dezembro de 2024, a casa localizada na esquina histórica foi reinaugurada após uma reforma. O imóvel passou a abrigar um espaço de coworking e atividades culturais. A revitalização também incluiu a instalação de um banco e de placas na calçada em homenagem aos músicos do Clube da Esquina.
O vandalismo ocorreu três dias antes do aniversário de Milton Nascimento, que completa 84 anos na próxima segunda-feira (26).




